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A
diva das "largadinhas"
Com 17 anos, roupas descoladas
e muita atitude, Avril Lavigne é
a nova sensação do rock juvenil
Isabela
Boscov
Divulgação
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AP
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Avril
em ação, de calça camuflada
e jeito de rebelde: enquanto as estrelas malcomportadas, como ela
própria e a americana Pink,
sobem, as patricinhas lideradas por Britney Spears dão
sinais de decadência
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Veja também |
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Ela
tem 17 aninhos, carinha de anjo, porte mignon. Essa gracinha é
também a mais nova potência da indústria fonográfica:
já vendeu mais de 3 milhões de cópias de seu CD de
estréia, Let Go, que está há catorze semanas
nos dez mais da parada americana e acaba de galgar ao segundo lugar da
lista. No Brasil, seu disco chegou às lojas cerca de duas semanas
atrás. "Sou muito eu", é como a canadense Avril Lavigne,
sem nenhum arroubo de originalidade, explica o sucesso. Garota interiorana,
ela nasceu e cresceu na pequena cidade de Napanee, Ontário, de
apenas 5.000 habitantes, oriunda da comunidade canadense de raiz francesa
que deu ao mundo os trinados de Celine Dion. Mas definitivamente não
faz o figurino menina-moça. Já jogou hóquei
o esporte de preferência de todo canadense que se preze ,
pratica skate, toca guitarra, circula de calça quatro números
maior, coturno, maquiagem punk-light e a obrigatória barriguinha
de fora. Também faz pose de rebelde e assina todas as treze composições
de Let Go, a começar por Complicated, carro-chefe
do CD e uma das músicas mais executadas nas rádios americanas
no momento. Avril é, enfim, o sonho de todo executivo de gravadora:
uma menina bonita, de olhos azuis, com talento a desenvolver e um bocado
de atitude o principal item de consumo no filão do pop/rock
juvenil.
Pop, aliás, é uma palavra que enche Avril de arrepios. "Faço
rock e sou o oposto exato de Britney Spears", proclama ela, que hoje mora
em Nova York. A briguinha tem um tanto de brio artístico e mais
ainda de apelo mercadológico: distinguir-se da concorrência
é essencial. Fortíssima há mais de uma década,
a corrente dos artistas teen justamente aquela que proporciona
às gravadoras os maiores lucros andava dando sinais de esgotamento.
As vendas do último disco de Britney foram decepcionantes, e sua
tentativa de se lançar como estrela de cinema teen resultou em
fiasco de bilheteria. O 'NSync e os Backstreet Boys já são
coisa do passado, e Christina Aguilera segue pelo mesmo caminho. O estilo
patricinha, enfim, está saindo de moda. A vez agora é das
estrelas "largadas", como a própria Avril e a americana Pink, que
começou a carreira aos 14 anos num grupo de rap e hoje, aos 23,
é uma roqueira com três discos de platina enfeitando as paredes
da casa em que mora com suas duas ratinhas de estimação,
chamadas "Thelma" e "Louise". Pink fuma, bebe cerveja e namora um motoqueiro
profissional. Não é exatamente um modelo de comportamento
e, para o público dessas moças, aí é
que está a graça da coisa. Avril Lavigne adora entreter
os jornalistas com histórias sobre as supostas brigas leia-se
troca de safanões mesmo em que se envolveu, e garante que
vez por outra é expulsa de bares e boates por fazer bagunça
demais. Há pouco, ela anunciou ter desistido de fazer um planejado
piercing no lábio inferior. Mas não porque é contra
perfurações na pele, e sim porque o adereço poderia
vir a atrapalhar seus beijos. "Não sou uma boneca Barbie. Quero
vender minha música, e não ser, tipo, um símbolo
sexual", diz Avril, insistindo no modelito anti-Britney.
A música de Avril é acima da média do que se encontra
normalmente no catálogo dos ídolos juvenis instantâneos.
Ela tem voz afinada, com um timbre que lembra o da australiana Natalie
Imbruglia. Por causa da nacionalidade, do jeitão despojado e das
letras com toque contestador e angustiado, Avril tem sido muito comparada
a Alanis Morissette. Mas sua praia é mais comercial: musiquinha
para adolescentes, gostosa de ouvir, sem pretensões intelectualizadas,
louvados sejam os deuses. O mérito não cabe apenas a Avril,
mas também ao lendário produtor Antonio "L.A." Reid, presidente
da gravadora Arista, que descobriu e contratou a pimentinha canadense
há um ano. Reid apoiou a garota quando ela se recusou a gravar
composições de outros artistas em favor de suas próprias.
Está colhendo os resultados, e em platina. Avril, enquanto isso,
só não é um sucesso entre os adolescentes da própria
Napanee. "O pessoal lá anda falando mal de mim, mas eu entendo.
Se eu tivesse de ir à escola em vez de ser uma estrela, também
ficaria com inveja", esnoba.
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