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Turma da Colina

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Imagem da Colina, no ano de 2015
Renato Russo, o "guru" da turma da Colina, um dos criadores da extinta banda Aborto Elétrico e, mais tarde, fundador da Legião Urbana

Turma da Colina foi um grupo de jovens brasileiros que se reuniam em uma área habitacional da Universidade de Brasília (UnB), apelidada de Colina, que entre o final da década de 70 e o começo dos anos 80, atuou como núcleo de sociabilidade, circulação musical e debate cultural que deu origem a parte significativa da cena do rock de Brasília.[1] Dessa turma faziam parte diversos nomes que se tornariam famosos e formariam bandas que despontariam no cenário nacional como Legião Urbana, Capital Inicial e Plebe Rude. É considerado um dos primeiros movimentos culturais de Brasília.[2][3]

Origem e Contexto

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A “Colina” era um conjunto de prédios habitacionais vinculados à Universidade de Brasília, onde moravam filhos de servidores públicos, professores e diplomatas, ou seja, um espaço com circulação cosmopolita e acesso a materiais culturais raros na época.[3] Entre o final da década de 70 e o começo da década de 80, um grupo de jovens, entediados com a cidade, passou a se reunir regularmente para ouvir música, trocar discos e tocar. Esse convívio entre jovens com acesso a rádio, discos importados e formação escolar produziu condições favoráveis ao surgimento de bandas autorais locais.[4] Nessa turma estavam figuras como Renato Russo, Fê Lemos e Flávio Lemos, André Pretorius, Philippe Seabra, entre outros. Esses jovens eram nada menos que o futuro do rock brasileiro.[5]

Foi nesse contexto que o punk foi, literalmente, apresentado para aqueles jovens. Por volta de 1978, entrou para a turma André Pretorius, filho do embaixador da África do Sul, que trazia consigo uma vasta bagagem cultural e política. André trouxe, de uma de suas viagens à Europa, vários discos de punk rock daquele período. Como naquela época o material era muito difícil de ser achado, virou logo referência da turma que tinha como "guru" Renato Russo. O conteúdo do repertório e a atitude do punk contribuíram para a formação sonora e estética das primeiras bandas nascidas da Turma da Colina. Essas trocas culturais ocorreram paralelamente a experiências formativas (aulas, debates, leituras) e à circulação em palcos locais que, junto ao contexto político de redemocratização do país, alimentaram letras e posturas que viriam a marcar o rock brasiliense.[3][4]

A Turma da Colina é considerada um nó central na constituição de uma identidade musical brasiliense que, nas décadas seguintes, teve grande repercussão nacional. A importância do grupo é frequentemente evocada em documentários, cinebiografias e estudos sobre o rock nacional, como no documentário Rock Brasília - Era de Ouro (dir. Vladimir Carvalho, 2011)[6] (que ganhou o prêmio de Melhor Documentário no Festival Paulínia de Cinema de 2011[7]) e o filme Somos Tão Jovens, (dir. Antonio Carlos da Fontoura, 2013)[8], além de livros (O Diário da Turma 1976-1986, Paulo Marchetti, 2011)[9] que reúnem depoimentos dos protagonistas e análises críticas do período.

Referências

  1. Flávio, Lúcio (21 de abril de 2022). «E assim Brasília se transformou em capital do rock». Agência Brasília. Consultado em 26 de novembro de 2025 
  2. «Rock e Brasília é uma parceria que durará para sempre». Metrópoles. 13 de julho de 2019. Consultado em 3 de agosto de 2020 
  3. a b c Silva, Ramone Maria de Sousa; Branco, Edwar de Alencar Castelo (2019). «Entre acordes punks e sociabilidades juvenis: Rock, cotidiano e política nas canções da Legião Urbana» (PDF). ANPUH BRASIL - 30° Simpósio Nacional de História. Consultado em 26 de novembro de 2025 
  4. a b «Na década de 1980, bandas punks contestavam ditadura militar na capital». Correio Braziliense. 21 de abril de 2013. Consultado em 26 de novembro de 2025 
  5. DAPIEVE, Arthur (1996). BRock - O rock brasileiro dos anos 80. [S.l.]: Editora 34. p. 130. ISBN 8573260084 
  6. «Rock Brasília - Era de Ouro». Adoro Cinema. Consultado em 26 de novembro de 2025 
  7. «Turma da colina ganha um delicioso documentário». Uai. 26 de outubro de 2011. Consultado em 3 de agosto de 2020 
  8. «'Somos tão jovens', cinebiografia de Renato Russo, resgata o cantor e toda a Turma da Colina com shows ao vivo, em Brasília». O Globo. 26 de junho de 2011. Consultado em 3 de agosto de 2020 
  9. «Brasília celebra o rock». Olhar Brasília. Consultado em 3 de agosto de 2020 

Ligações externas

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