Turma da Colina


Turma da Colina foi um grupo de jovens brasileiros que se reuniam em uma área habitacional da Universidade de Brasília (UnB), apelidada de Colina, que entre o final da década de 70 e o começo dos anos 80, atuou como núcleo de sociabilidade, circulação musical e debate cultural que deu origem a parte significativa da cena do rock de Brasília.[1] Dessa turma faziam parte diversos nomes que se tornariam famosos e formariam bandas que despontariam no cenário nacional como Legião Urbana, Capital Inicial e Plebe Rude. É considerado um dos primeiros movimentos culturais de Brasília.[2][3]
Origem e Contexto
[editar | editar código]A “Colina” era um conjunto de prédios habitacionais vinculados à Universidade de Brasília, onde moravam filhos de servidores públicos, professores e diplomatas, ou seja, um espaço com circulação cosmopolita e acesso a materiais culturais raros na época.[3] Entre o final da década de 70 e o começo da década de 80, um grupo de jovens, entediados com a cidade, passou a se reunir regularmente para ouvir música, trocar discos e tocar. Esse convívio entre jovens com acesso a rádio, discos importados e formação escolar produziu condições favoráveis ao surgimento de bandas autorais locais.[4] Nessa turma estavam figuras como Renato Russo, Fê Lemos e Flávio Lemos, André Pretorius, Philippe Seabra, entre outros. Esses jovens eram nada menos que o futuro do rock brasileiro.[5]
Foi nesse contexto que o punk foi, literalmente, apresentado para aqueles jovens. Por volta de 1978, entrou para a turma André Pretorius, filho do embaixador da África do Sul, que trazia consigo uma vasta bagagem cultural e política. André trouxe, de uma de suas viagens à Europa, vários discos de punk rock daquele período. Como naquela época o material era muito difícil de ser achado, virou logo referência da turma que tinha como "guru" Renato Russo. O conteúdo do repertório e a atitude do punk contribuíram para a formação sonora e estética das primeiras bandas nascidas da Turma da Colina. Essas trocas culturais ocorreram paralelamente a experiências formativas (aulas, debates, leituras) e à circulação em palcos locais que, junto ao contexto político de redemocratização do país, alimentaram letras e posturas que viriam a marcar o rock brasiliense.[3][4]
A Turma da Colina é considerada um nó central na constituição de uma identidade musical brasiliense que, nas décadas seguintes, teve grande repercussão nacional. A importância do grupo é frequentemente evocada em documentários, cinebiografias e estudos sobre o rock nacional, como no documentário Rock Brasília - Era de Ouro (dir. Vladimir Carvalho, 2011)[6] (que ganhou o prêmio de Melhor Documentário no Festival Paulínia de Cinema de 2011[7]) e o filme Somos Tão Jovens, (dir. Antonio Carlos da Fontoura, 2013)[8], além de livros (O Diário da Turma 1976-1986, Paulo Marchetti, 2011)[9] que reúnem depoimentos dos protagonistas e análises críticas do período.
Referências
- ↑ Flávio, Lúcio (21 de abril de 2022). «E assim Brasília se transformou em capital do rock». Agência Brasília. Consultado em 26 de novembro de 2025
- ↑ «Rock e Brasília é uma parceria que durará para sempre». Metrópoles. 13 de julho de 2019. Consultado em 3 de agosto de 2020
- ↑ a b c Silva, Ramone Maria de Sousa; Branco, Edwar de Alencar Castelo (2019). «Entre acordes punks e sociabilidades juvenis: Rock, cotidiano e política nas canções da Legião Urbana» (PDF). ANPUH BRASIL - 30° Simpósio Nacional de História. Consultado em 26 de novembro de 2025
- ↑ a b «Na década de 1980, bandas punks contestavam ditadura militar na capital». Correio Braziliense. 21 de abril de 2013. Consultado em 26 de novembro de 2025
- ↑ DAPIEVE, Arthur (1996). BRock - O rock brasileiro dos anos 80. [S.l.]: Editora 34. p. 130. ISBN 8573260084
- ↑ «Rock Brasília - Era de Ouro». Adoro Cinema. Consultado em 26 de novembro de 2025
- ↑ «Turma da colina ganha um delicioso documentário». Uai. 26 de outubro de 2011. Consultado em 3 de agosto de 2020
- ↑ «'Somos tão jovens', cinebiografia de Renato Russo, resgata o cantor e toda a Turma da Colina com shows ao vivo, em Brasília». O Globo. 26 de junho de 2011. Consultado em 3 de agosto de 2020
- ↑ «Brasília celebra o rock». Olhar Brasília. Consultado em 3 de agosto de 2020