Dinastia Romanov
Casa de Romanov
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|---|---|
| Романовы (em russo) | |
| Brasão da Casa de Romanov | |
| Estado | |
| Título | Imperador de Todas as Rússias Czar de Todas as Rússias Rei da Polônia Grão-Duque da Lituânia Grão-Duque da Finlândia Grão-Duque de Oldemburgo Duque da Curlândia e Semigália Duque de Holsácia |
| Origem | |
| Fundador | Miguel I da Rússia |
| Fundação | 1613 |
| Casa originária | Oldemburgo (desde 1762 como Holsácia-Gottorp-Romanov) |
| Atual soberano | |
| Disputado: Grã-Duquesa Maria Vladimirovna da Rússia (tataraneta de Alexandre II)[1] Príncipe Alexis Andreievich Romanoff (tataraneto de Alexandre III)[2][3][4] Príncipe Karl Emich de Leiningen, sob o nome real Nicolau III (tataraneto de Alexandre II)[5] | |
| Último soberano | Nicolau II da Rússia |
| Dissolução | 1917 |
| Linhagem secundária | |
A Casa de Romanov ou Dinastia Romanov (em russo: Дом Рома́новых, transl. Dom Romanovykh) governou o Império Russo por mais de 300 anos, de 1613 a 1917. A família Romanov alcançou proeminência após o casamento de Anastácia Romanovna com Ivã IV da Rússia, o primeiro Czar coroado de Toda a Rússia. Na época do casamento de Anastácia Romanovna, com Ivã IV em 1547, sua família ainda não era conhecida como "Romanov", ela pertencia à família "Zakharyin-Yuriev" e "Romanovna" era o seu patronímico, ou seja era o indicativo de sua filiação paterna "filha de Roman", nome baseado no sistema de patronímicos que era e ainda é o padrão de tratamento mais respeitoso formalmente usado na Rússia. O sobrenome Romanov, só foi adotado posteriormente pelos descendentes de seu irmão Nikita Romanovich, em homenagem ao pai de Anastácia, o nobre boiardo, chamado, Roman Yurievich Zakharin-Yuriev. O sobrenome Romanov significa "descendente de Roman" e só foi adotado oficialmente pela família gerações depois como uma homenagem ao pai de Anastácia Romanovna, visando manter à ligação de parentesco prestigioso com a czarina Anastácia e para destacar a proximidade com a linhagem real da antiga Dinastia Ruríquida.
O primeiro monarca da Dinastia Romanov foi Miguel I da Rússia, sobrinho-neto da Czarina Anastácia Romanovna e o último foi Nicolau II da Rússia, executado pelos bolcheviques em julho de 1918, na Casa Ipatiev, em Ecaterimburgo, após a Revolução Russa de 1917. Entre 1762 e 1917, a Rússia foi tecnicamente governada pela Casa de Holsácia-Gottorp, um ramo da Casa de Oldemburgo, contudo a dinastia manteve o sobrenome Romanov, enfatizando sua descendência materna de Pedro, o Grande, através de Ana Petrovna, filha mais velha de Pedro I com sua segunda esposa Catarina I. Esta sucessão ocorreu através de Pedro III, filho da Grã-Duquesa Ana Petrovna da Rússia. A Imperatriz Isabel da Rússia, foi a última descendente direta da linhagem masculina da dinastia Romanov e como era soberana, solteira e sem filhos, nomeou seu sobrinho, Pedro de Holsácia-Gottorp-Romanov, como seu herdeiro. Tradicionalmente haveria uma mudança no nome da dinastia reinante enfatizando a linhagem patrilinear de Pedro III, que era um Holsácia-Gottorp, alemão por parte paterna, porém sob pressão política de sua tia a Imperatriz Isabel, Pedro III manteve apenas o sobrenome materno, Romanov, para garantir sua legitimidade e enfatizar seu direito ao trono russo, dando continuidade a linhagem de Pedro, o Grande e acalmando os ânimos da nobreza russa, que não aceitaria um Imperador que fosse visto pelo povo como um estrangeiro alemão ocupando o trono russo, principalmente após a influência negativa de conselheiros alemães na corte durante o reinado da Imperatriz Ana da Rússia. Pedro III possuía o parentesco mais próximo com a soberana reinante, sua tia a Imperatriz Isabel da Rússia e garantiu a continuidade da linhagem de seu avô, Pedro, o Grande.[6]
Houve boatos de que a Grã-Duquesa Anastásia Nikolaevna da Rússia, filha do último soberano da Rússia, o Czar Nicolau II, sobrevivera ao massacre e estaria viva, mas cientistas provaram que ela morreu juntamente do resto de sua família, a filha de Nicolau foi enterrada perto da sepultura dos pais.
Em 1924, o Grão-Duque Cyrill Vladimirovich da Rússia, descendente da linha masculina direta patrilinear (neto) de Alexandre II da Rússia, reivindicou a chefia da Casa Imperial de Romanov. Sua neta, grã-duquesa Maria Vladimirovna da Rússia, é a pretendente atual, seu único filho Jorge Mikhailovich é seu herdeiro aparente.
Origens
[editar | editar código]A origem dos Romanov remonta a 12 outras nobres famílias russas cujo ancestral comum é Andrei Kobila, atestado como um boiardo a serviço de Simão I da Rússia. Gerações posteriores associaram a Kobila um ilustre pedigree. Inicialmente reivindicava-se que ele viera para Moscou em 1341, da Prússia, onde seu pai era um famoso rebelde. No final do século XVII, foi publicada uma linha genealógica fictícia segundo a qual sua origem remontava a Júlio César, ditador e general do Império Romano.
Acredita-se que as origens de Andrei Kobila eram menos nobres, não apenas pelo fato de kobyla ser a palavra russa para égua, mas porque seus parentes também eram apelidados por cavalos e outros animais domésticos, sugerindo então descenderem de cavaleiros reais. Um dos filhos de Kobila, Fiódor membro da Duma Boiarda de Demétrio I, foi alcunhado de Kochka (gato, em russo). Seus descendentes tomaram para si o sobrenome Kochin, e depois o alteraram para Zakharin. Posteriormente a família dividiu-se em dois ramos: Zakharin-Yakovlev e Zakharin-Yuriev.
Durante o reinado de Ivã o Terrível, um dos ramos ficou conhecido como Yakovlev (sendo que Alexander Herzen é o seu membro mais ilustre), enquanto o neto de Roman Yurieviche Zakharin-Yuriev mudou o nome do seu ramo para Romanov. Após uma assembleia nacional de nobres realizada em 21 de fevereiro de 1613, em função de uma doença mental que o filho do último imperador tinha, Miguel Romanov foi nomeado czar da Rússia e desde então a família Romanov passou a ser a soberana de toda a extensão da Moscóvia e do Império Russo, fato que perdurou até 1917, quando a Revolução Russa de 1917 triunfou, sendo então proclamada a República Soviética da Rússia, pondo fim ao regime absolutista. Durante a guerra, muitas aristocratas da família apoiaram um certo assistencialismo de cunho filantrópico as famílias envolvidas no combate e a dinastia tem ligações sanguíneas com a monarquia inglesa que era aliada no conflito.[7]
Lista de soberanos da dinastia Romanov e Holsácia-Gottorp-Romanov
[editar | editar código]- Miguel I (1613 - 1634 e 1634 - 1645)
- Aleixo I (1645 - 1676)
- Teodoro III (1676 - 1682)
- Ivan V (1682 – 1696)
- Pedro I, o Grande (1682 - 1725)
- Catarina I (1725 - 1727)
- Pedro II (1727 - 1730)
- Ana (1730 - 1740)
- Ivan VI (1740 - 1741)
- Isabel (1741 - 1762)
- Pedro III (1762)
- Catarina II, a Grande (1762 - 1796)
- Paulo I (1796 - 1801)
- Alexandre I (1801 - 1825)
- Nicolau I (1825 - 1855)
- Alexandre II (1855 - 1881)
- Alexandre III (1881 - 1894)
- Nicolau II (1894 - 1917)
Ver também
[editar | editar código]Referências
- ↑ «Head of the Russian Imperial House, Her Imperial Highness the Grand Duchess (de jure Her Imperial Majesty the Empress of all Russias) Maria Wladimirovna». Russian Imperial House. Consultado em 27 de setembro de 2024
- ↑ «Prince Andrew Romanoff, grandnephew of Russia's last czar who became an artist in the US – obituary». The Telegraph. 17 de janeiro de 2022
- ↑ «Ушёл из жизни «последний настоящий Романов» | Русская Культура». 2 de dezembro de 2021
- ↑ «The Imperial House of Russia, House of Romanov»
- ↑ «The Heir to the All-Russian Emperorship, His Highness Prince of the Imperial Blood Nikolay Kirillovich of Russia, Prince zu Leiningen.». The Imperial Heraldy. Consultado em 6 de janeiro de 2022
- ↑ «Романовы - правители России. Династия Романовых». www.bibliotekar.ru. Consultado em 16 de agosto de 2019
- ↑ «#1917CROWD: Most followed citizens of Imperial Russia on Twitter». RT International (em inglês). Consultado em 21 de fevereiro de 2021
