Riacho da Cruz
Riacho da Cruz | |
|---|---|
| Gentílico | riacho-cruzense |
| Mapa de Riacho da Cruz | |
| Coordenadas: 5° 56′ 09″ S, 37° 56′ 45″ O | |
| País | Brasil |
| Unidade federativa | Rio Grande do Norte |
| Municípios limítrofes | Norte: Itaú; Sul: Viçosa e Portalegre; Leste: Umarizal e Apodi; e Oeste: Taboleiro Grande. |
| Distância até a capital | 380 km |
| Fundação | 1717 (309 anos) |
| Emancipação | 9 de maio de 1962 (63 anos) |
| Governo | |
| • Prefeito(a) | Marcos Aurélio de Paiva Rêgo (Progressistas, 2021–2028) |
| • Vereadores | 9 |
| Área | |
| • Total [1] | 127,223 km² |
| Altitude | 186 m |
| População | |
| • Total (IBGE/2024[2]) | 2 741 hab. |
| Densidade | 21,5 hab./km² |
| Clima | Semiárido (Bsh) |
| Fuso horário | Hora de Brasília (UTC−3) |
| CEP | 59820-000 |
| IDH (PNUD/2010[3]) | 0,584 — baixo |
| Gini (2020) | 0,47 |
| PIB (IBGE/2023[4]) | R$ 42 856,82 mil |
| • Per capita (IBGE/2023[4]) | R$ 15 867,02 |
| Sítio | www camaraderiachodacruz |
Riacho da Cruz é um município brasileiro no interior do estado do Rio Grande do Norte, a uma distância de 380 quilômetros a oeste da capital do estado, Natal. Ocupa uma área de aproximadamente 127 km², e sua população na estimativa em 2024 era de 2.741 habitantes, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, sendo então o 154º município populoso do Rio Grande do Norte.
A história do atual município de Riacho da Cruz começa a partir do surgimento das primeiras explorações agrícolas, às margens do riacho Forquilha. No século XVIII, o Capitão Antônio Barbalho Bezerra, junto com os senhores Bento Carneiro, Manoel Rodrigues Taborda e Matias Lima, eram os proprietários das quatro sesmarias que lá existiam.[5]
Algum tempo depois, teve início o povoamento do local e seu consequente crescimento, tanto populacional quanto econômico, de base voltada exclusivamente para a agricultura. Mas o crescimento se deu em um processo muito lento e que durou muitos anos. Finalmente, em 9 de maio de 1962, por força da lei estadual nº 2.764, Riacho da Cruz desmembrou-se de Portalegre e tornou-se município do Rio Grande do Norte. O nome faz referência a uma cruz fincada na beira do riacho Forquilha, indicando uma sepultura cristã.[5]
Logo após a emancipação, o município teve como primeiro prefeito Francisco de Oliveira Silva, nomeado pelo governador do Rio Grande do Norte, Aluízio Alves.[6] Somente em 1964 tomou posse o primeiro prefeito constitucional, Edimar Diógenes de Paiva, eleito em dezembro do ano anterior.[7]
Geografia
[editar | editar código]De acordo com a divisão territorial vigente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística desde 2017, Riacho da Cruz pertence à região geográfica imediata de Pau dos Ferros, dentro da região geográfica intermediária de Mossoró;[8] até então, com a vigência das divisões em mesorregiões e microrregiões, fazia parte da microrregião de Pau dos Ferros, que por sua vez estava incluída na mesorregião do Oeste Potiguar.[9] Riacho da Cruz está distante 366 km de Natal, capital estadual,[10] e 1 969 km de Brasília, capital federal.[11] Ocupa uma área territorial de 127,223 km²[1] (0,2409% da superfície estadual) e se limita a norte com Itaú e Taboleiro Grande; a sul com Viçosa e Portalegre; a leste com Umarizal, Apodi e novamente Itaú e a oeste novamente Taboleiro Grande.[12]
O relevo do município, com altitudes predominando entre cem e duzentos metros, é constituído pela Depressão Sertaneja, que compreende uma série de terrenos de transição entre o Planalto da Borborema e a Chapada do Apodi. Riacho da Cruz está situado em área de abrangência das rochas metamórficas do embasamento cristalino, originárias do período pré-cambriano médio, com idade entre um bilhão e 2,5 bilhões de anos. Predomina o solo bruno não cálcico ou luvissolo, pedregoso, pouco profundo e típico das áreas com relevo de suave a ondulado, apresentando textura constituída de areia e/ou argila e grau de fertilidade entre médio e alto.[12] Há também os solos podzólicos vermelhos amarelos equivalentes eutróficos e os litossolos (solos litólicos).[13]
Tais solos são cobertos por uma vegetação xerófila, a caatinga, com espécies de pequeno porte cujas folhas caem na estação seca, dentre elas o facheiro (Pilosocereus pachycladus), o faveleiro (Cnidoscolus quercifolius), a jurema-preta (Mimosa hostilis), o marmeleiro (Cydonia oblonga), o mufumbo (Combretum leprosum) e o xique-xique (Pilosocereus polygonus).[12] Todo o território municipal situa-se na bacia hidrográfica do Rio Apodi-Mossoró, que demarca os limites de Riacho da Cruz com Taboleiro Grande e Itaú a norte. O Açude Riacho da Cruz é o principal reservatório, com capacidade para 9 604 200 m³,[14] responsável pelo abastecimento de água da cidade.
O clima é semiárido,[15] (Bsh segundo na Köppen) com chuvas concentradas entre fevereiro e maio. Segundo dados da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (EMPARN), desde 1959 o maior acumulado de precipitação em 24 horas registrado em Riacho da Cruz atingiu 177 mm em 3 de abril de 2008, seguido por 160 mm em 27 de janeiro de 2004 e 155 mm em 5 de março de 2008. O mês mais chuvoso da série histórica foi janeiro de 2004, com 771,9 mm, ao passo que o recorde anual pertence a 1985, com 1 510,3 mm.[16]
| Dados climatológicos para Riacho da Cruz (1959-2020)[16] | |||||||||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Mês | Jan | Fev | Mar | Abr | Mai | Jun | Jul | Ago | Set | Out | Nov | Dez | Ano |
| Precipitação (mm) | 82,9 | 105 | 191,5 | 176,1 | 94,1 | 45,1 | 18,4 | 4,7 | 2 | 5,3 | 3,1 | 21,5 | 749,7 |
Política
[editar | editar código]Conforme a lei orgânica de Riacho da Cruz, promulgada em 1990[17] sendo alterada por emendas posteriores. e alterada por emendas posteriores, a administração municipal se dá pelos poderes executivo e legislativo. O prefeito exerce o poder executivo e nomeia livremente seu gabinete de secretários.
A Câmara Municipal, formada por nove vereadores, constitui o poder legislativo. Cabe à casa elaborar e votar leis fundamentais à administração e ao executivo, especialmente o orçamento municipal, conhecido como Lei de Diretrizes Orçamentárias. Tanto o prefeito quanto os vereadores são eleitos pelo voto direto para mandatos de quatro anos.[18]
Existem também alguns conselhos municipais em atividade: Alimentação Escolar, Assistência Social, Defesa Civil, Desenvolvimento Rural, Direitos da Criança e do Adolescente, Direitos da Pessoa Idosa, Educação, FUNDEB, Habitação, Saúde e Tutelar.[19][20][21] Riacho da Cruz é termo judiciário da comarca de Portalegre, de entrância inicial,[22] e pertence à 63ª zona eleitoral do Rio Grande do Norte, possuindo 2 715 eleitores em dezembro de 2020, de acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o que representa 0,117% do eleitorado estadual.[23]
Cultura
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A Secretaria Municipal de Educação e Cultura é o órgão da prefeitura responsável pela área cultural do município de Riacho da Cruz, cabendo a ela a organização de atividades e projetos culturais, além do setor educacional.[24]
No calendário cultural do município, destaca-se a festa de emancipação política, realizada no mês de maio, cuja programação inclui a alvorada festiva, o hasteamento das bandeiras, além de desfiles, atrações musicais e outros eventos.[25][26] No mês de junho ocorrem as festas juninas, em destaque para o tradicional São Pedro, no final do mês, com apresentações de danças folclóricas, desfiles, quadrilhas e outras atrações.[27] Em outubro ou novembro, acontece a festa do Sagrado Coração de Jesus, que se inicia com a missa de abertura e prossegue durante nove noites de novena, encerrando com a procissão com a imagem do padroeiro, além da programação sociocultural.[28] Em novembro, ocorre o concurso "A Mais Bela Voz".[29] Em dezembro, é realizada a festa de Santa Luzia,[30] além das comemorações natalinas.[31]
Também são realizados eventos com ênfase no setor esportivo, como o Campeonato Municipal de Futsal.[32] O município possui ainda alguns atrativos turísticos, entre eles as avenidas Camila de Léllis (Avenida Principal) e dos Coqueiros, o Bosque Municipal, o Marco do Município, o Pórtico de Entrada, a Praça de Eventos e a Trilha Poço da Vaca.[33][34] O artesanato é outra forma espontânea da expressão cultural riachocruzense, sendo possível encontrar uma produção feita com matérias-primas regionais, como a argila (barro) e o bordado, além de materiais recicláveis, e criada de acordo com a cultura e o modo de vida local.[35][36]
Referências
- ↑ a b «Área territorial oficial». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 9 de outubro de 2015. Cópia arquivada em 9 de outubro de 2015
- ↑ «ESTIMATIVAS DA POPULAÇÃO RESIDENTE NO BRASIL E UNIDADES DA FEDERAÇÃO COM DATA DE REFERÊNCIA EM 27 DE NOVEMBRO DE 2024». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 3 de janeiro de 2025
- ↑ «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2010. Consultado em 4 de setembro de 2013
- ↑ a b IBGE. «Produto Interno Bruto dos Municípios». Consultado em 18 de janeiro de 2026
- ↑ a b «Histórico» (PDF). Consultado em 25 de janeiro de 2012. Cópia arquivada (PDF) em 25 de janeiro de 2012
- ↑ «O Município». Consultado em 12 de julho de 2021. Cópia arquivada em 12 de julho de 2021
- ↑ «Lista de gestores». Consultado em 12 de julho de 2021. Cópia arquivada em 11 de abril de 2021
- ↑ Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2017). «Divisão Regional do Brasil». Consultado em 29 de março de 2019. Cópia arquivada em 25 de setembro de 2017
- ↑ Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1990). «Divisão regional do Brasil em mesorregiões e microrregiões geográficas» (PDF). Biblioteca IBGE. 1: 44–45. Consultado em 29 de março de 2019. Cópia arquivada (PDF) em 25 de setembro de 2017
- ↑ «Distância entre Natal e Riacho da Cruz». Consultado em 9 de outubro de 2015
- ↑ «Distância entre Brasília e Riacho da Cruz». Consultado em 9 de outubro de 2015
- ↑ a b c Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (IDEMA-RN) (2008). «Perfil do seu município: Riacho da Cruz» (PDF). Consultado em 9 de outubro de 2015. Cópia arquivada (PDF) em 9 de outubro de 2015
- ↑ «Mapa Exploratório-Reconhecimento de solos do município de Riacho da Cruz, RN» (PDF). Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. Consultado em 9 de outubro de 2015. Cópia arquivada (PDF) em 9 de outubro de 2015
- ↑ «Ficha técnica do Reservatório Riacho da Cruz II». Consultado em 9 de fevereiro de 2022
- ↑ «Municípios localizados no Semi-árido». Consultado em 4 de outubro de 2015. Arquivado do original em 12 de agosto de 2014
- ↑ a b Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (EMPARN). «Relatório pluviométrico». Consultado em 9 de fevereiro de 2022
- ↑ IBGE (2005). «3.2 Instrumentos de planejamento municipal». Cópia arquivada em 9 de outubro de 2015
- ↑ «Lei Orgânica do Município de Riacho da Cruz – RN» (PDF). Consultado em 12 de julho de 2021. Cópia arquivada (PDF) em 13 de julho de 2021
- ↑ IBGE. «MUNIC - Perfil dos Municípios Brasileiros 2017». Consultado em 12 de julho de 2021. Cópia arquivada em 13 de julho de 2021
- ↑ IBGE. «MUNIC - Perfil dos Municípios Brasileiros 2018». Consultado em 12 de julho de 2021. Cópia arquivada em 13 de julho de 2021
- ↑ IBGE. «MUNIC - Perfil dos Municípios Brasileiros 2019». Consultado em 12 de julho de 2021. Cópia arquivada em 13 de julho de 2021
- ↑ «LEI COMPLEMENTAR Nº 643, DE 21 DE DEZEMBRO DE 2018». Consultado em 12 de julho de 2021
- ↑ Tribunal Superior Eleitoral (TSE). «Estatísticas de eleitorado - Consulta por Município/Zona». Consultado em 9 de outubro de 2015
- ↑ «Secretarias». Prefeitura Municipal de Viçosa. Consultado em 16 de outubro de 2015. Cópia arquivada em 9 de outubro de 2015
- ↑ «Riacho da Cruz comemora 52 anos de Emancipação Política e prepara grande programação». Revista Acontece. 30 de abril de 2014. Consultado em 4 de janeiro de 2016. Cópia arquivada em 21 de março de 2015
- ↑ «Município Comemora 53 Anos de Emancipação Política com Grande Festa». Prefeitura Municipal de Riacho da Cruz. 11 de maio de 2015. Consultado em 4 de janeiro de 2016. Cópia arquivada em 5 de janeiro de 2016
- ↑ «Riacho da Cruz realiza 25º Tradicional São Pedro com grande participação popular». Gazeta do Oeste. 1 de julho de 2014. Consultado em 4 de janeiro de 2016. Cópia arquivada em 4 de janeiro de 2016
- ↑ «Programação religiosa da festa do Sagrado Coração de Jesus em Riacho da Cruz - RN». Prefeitura Municipal de Riacho da Cruz. 29 de outubro de 2015. Consultado em 4 de janeiro de 2016. Cópia arquivada em 5 de janeiro de 2016
- ↑ «Vem aí a A Mais Bela Voz 2015 em Riacho da Cruz -RN». Prefeitura Municipal de Riacho da Cruz. 13 de novembro de 2015. Consultado em 4 de janeiro de 2016. Cópia arquivada em 4 de janeiro de 2016
- ↑ «Vem aí a Festa de Santa Luzia 2015 em Riacho da Cruz - RN». Prefeitura Municipal de Riacho da Cruz. 1 de dezembro de 2015. Consultado em 4 de janeiro de 2016. Cópia arquivada em 4 de janeiro de 2016
- ↑ «Natal Encantado 2015 de Riacho da Cruz é Encerrado com grande Sucesso». Prefeitura Municipal de Riacho da Cruz. 27 de dezembro de 2015. Consultado em 4 de janeiro de 2016. Cópia arquivada em 4 de janeiro de 2016
- ↑ «COMUNICADO - VEM AÍ o Campeonato Municipal de Futsal». Prefeitura Municipal de Riacho da Cruz. 26 de fevereiro de 2014. Consultado em 4 de outubro de 2016. Cópia arquivada em 4 de janeiro de 2016
- ↑ «Equipe do IDEC visita os Equipamentos e Atrativos Turísticos do Município para Elaboração do PDITS». Prefeitura Municipal de Riacho da Cruz. 28 de novembro de 2015. Consultado em 4 de janeiro de 2016. Cópia arquivada em 4 de janeiro de 2016
- ↑ «Riacho da Cruz recebe 1ª Visita do Fotógrafo e Integrante do Grupo Circuíto das Serras Potiguares». Prefeitura Municipal de Riacho da Cruz. 18 de agosto de 2015. Consultado em 4 de janeiro de 2016. Cópia arquivada em 5 de janeiro de 2016
- ↑ O Mossoroense, ed. (6 de setembro de 2007). «Artesanato de Riacho da Cruz é destaque na Finecap 2007». UOL. Consultado em 4 de janeiro de 2016. Cópia arquivada em 4 de janeiro de 2016
- ↑ «6.4.1 - Principais atividades artesanais (3)». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. 2012. Consultado em 4 de janeiro de 2016. Cópia arquivada em 4 de janeiro de 2016


