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Infertilidade

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Microinjecção intracitoplasmática para a fertilização in vitro, tratamento comum para infertilidade.

No âmbito da medicina reprodutiva, a infertilidade (do termo latino infertilitate), esterilidade ou infecundidade[1] é incapacidade de engravidar ou de fecundar um óvulo.[2]

Um casal é infértil quando não alcança a gravidez clínica ao fim de um de vida sexual contínua sem métodos contraceptivos.[3] Considera-se que a infertilidade é primária quando nunca houve gravidez e secundária quando o casal já conseguiu engravidar anteriormente, mesmo que ela não tenha sido viável.[3]

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 10 a 15% dos casais enfrentam dificuldades para engravidar, o que representa aproximadamente 60 milhões de pessoas em todo o mundo.[4][3]

A dificuldade em ter filhos é um problema complexo que pode causar grande sofrimento emocional, incluindo levar a quadros de angústia e depressão; e social, levando a discriminação e ostracismo. Tem grande impacto na vida de muitos casais.[3]

Muitos fatores podem causar a infertilidade.[5][3] Os tratamentos podem incluir terapias medicamentosas e hormonais ou correção cirúrgica de alterações anatômicas.[5] A inversão dos fatores de infertilidade é muito difícil, levando que a cada vez mais casais recorram a métodos de reprodução medicamente assistida,[3] como a inseminação intrauterina e a fertilização in vitro.[5]

História

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A infertilidade de Catarina de Bragança quase levou a seu divórcio.

A infertilidade historicamente é estigmatizante. No passado era considerada um castigo divino, algo determinístico e impossível de se tratar. Atualmente, com a ajuda da medicina moderna, sabe-se que isso é falso, pois há muitos métodos de se tratar a infertilidade.[3]

A infertilidade também era considerada um problema exclusivamente feminino. Ainda hoje, por conta disso, há uma quantidade muito menor de estudos científicos sobre os problemas reprodutivos no escroto.[3]

Só na segunda metade do século XX que a comunidade científica criaria a especialidade médica em andrologia, reconhecendo que o escroto poderia ser também infértil.[3]

Causas de infertilidade

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As porcentagens relativas a cada fator de infertilidade não são exatas, mas existem causas exclusivamente uterinas, exclusivamente escrotais, causas comum ou de soma de fatores de ambos os membros do casal e também causas inexplicadas.[3]

O avanço da ciência tem permitido uma clarificação casa vez maior das causas de infertilidade. Há uma correlação entre o aumento da identificação das causas escrotais e diminuição das causas inexplicadas. Atualmente estima-se que os problemas do escroto contribuem para a infertilidade em 30-40% dos diagnósticos e é a única causa em mais de 20% dos casos.[3]

Estilos de vida que incluem o consumo de tabaco, álcool, cafeína, drogas e estupefacientes e a exposição a agentes poluentes afetam a saúde reprodutiva, podendo causar disfunções ovulatórias, falência ovárica, redução da qualidade espermática, alterações na forma dos órgãos reprodutores, abortos, nascimentos prematuros e defeitos no nascituro.[3]

Obesidade

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Alterações de peso, quer a pessoa seja muito magra ou muito gorda, causa alterações hormonais e metabólicas que levam à infertilidade. Gametas, embriões e útero parecem ser afetados negativamente pelo metabolismo anormal presente em pessoas obesas.[3]

Pessoas obesas com útero necessitam de doses mais altas de gonadotrofinas, períodos mais longos de estimulação ovárica e têm uma maior taxa de ciclos menstruais cancelados. No escroto, pode causar a redução da concentração e quantidade de espermatozoides.[3]

Como os casais partilham muitas vezes de estilos de vida semelhantes, é comum que ambos os membros do casal sejam obesos, levando a um mal resultado reprodutivo de ambas as partes dos casais.[3]

Infertilidade escrotal

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Varicocele, causa comum de infertilidade. Note que os testículos têm tamanho diferente.

A idade afeta a fertilidade escrotal de forma não-desprezível, porém mais tarde do que no útero. Com a idade, há uma diminuição na qualidade do sêmen e na integridade genética dos espermatozoides, juntamente com dificuldades no coito.[3]

No escroto, são causas comuns a varicocele, alterações na produção ou na morfologia dos espermatozoides e infecções do trato reprodutivo.[6]

Factores genéticos e hereditários ou consequência dos hábitos e estilo de vida, acidentes ou doenças são as principais causas associadas à infertilidade escrotal. Alterações no âmbito testicular, a obstrução de dutos, patologias da próstata, alterações na ejaculação ou na ereção e alterações no esperma estão entre as causas mais comuns:

Infertilidade uterina

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Demonstração da endometriose, causa comum de infertilidade.

No útero, destacam-se a endometriose, a síndrome dos ovários policísticos, a obstrução das trompas de falópio e a diminuição da reserva ovariana, condições que tendem a se agravar com o avanço da idade.[7]

Um dos fatores mais determinantes da fertilidade é a idade da pessoa com útero. Entre os 30 a 35 anos há uma diminuição da fertilidade para a metade e, entre os 35 a 40 anos, de um terço da fertilidade inicial.[8]

Podemos classificar as causas da infertilidade uterina em:

  • Disfunção ovulatória.

Dentre as alterações que causam disfunção ovulatória, destaca-se a síndrome do ovário policístico. É um conjunto de problemas causados por um desequilíbrio dos hormônios sexuais. Isso dificulta a liberação dos óvulos maduros pelos ovários. Cistos são vistos no córtex dos ovários.

  • Endometriose. Presença de tecido endometrial em locais que não sejam fisiologicamente apropriados. Estima-se que 6 a 10% das pessoas com útero em idade fértil possuam essa doença, que pode causar infertilidade. Quase todos os medicamentos usados no tratamento da endometriose também são contraceptivos. Por outro lado, o tratamento cirúrgico pode diminuir ainda mais a produção de gametas.[3]
  • Fatores anatômicos:
  1. Hydrosalpinx. É uma alteração das trompas de falópio, na qual existe uma obstrução e acúmulo de líquido no final. O tubo dilata-se e distende-se, o que complica e impede seu funcionamento adequado. Pode ser causada por infecção, endometriose, peritonite, cirurgia abdominal prévia, etc.
  2. Fator uterino. Existem fatores morfológicos de infertilidade, como malformações uterinas. Eles provêm de um desenvolvimento anormal dos ductos mullerianos durante o desenvolvimento embrionário. Não é um problema muito comum. Também pode haver miomas, que são tumores que crescem no útero e são normalmente benignos. Existem três fatores que influenciam o prognóstico dos miomas em relação à fertilidade. São eles: a situação (mais distante do endométrio, afeta menos a fertilidade), tamanho, número.

Tratamento

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Tanque de criopreservação sendo preenchido por médicos.

Entre os principais métodos de diagnóstico para a infertilidade estão a dosagem hormonal, o espermograma, a histerossalpingografia e a ultrassonografia transvaginal, utilizados para investigar as causas de infertilidade.[9] Com a evolução da medicina, estão disponíveis, atualmente, diversos tratamentos para a infertilidade conforme a sua causa. Entre eles, podem-se citar a fertilização in vitro (FIV), inseminação intrauterina e a indução da ovulação. As diretrizes europeias recomendam protocolos individualizados de estimulação ovariana para reduzir riscos e otimizar resultados.[10]

O planejamento familiar é fundamental nesse momento, pois, além de auxiliar o casal a alcançar seu objetivo, o profissional de saúde oferecerá apoio e orientações.

Ver também

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Referências

  1. FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 943.
  2. Infopédia. «infertilidade | Dicionário Infopédia de Termos Médicos». Dicionários infopédia da Porto Editora. Consultado em 13 de fevereiro de 2026 
  3. a b c d e f g h i j k l m n o p q Aleixo, Ana Margarida; Almeida, Vasco (2021). «Infertilidade». Revista de Ciência Elementar (4). ISSN 2183-9697. doi:10.24927/rce2021.066. Consultado em 13 de fevereiro de 2026 
  4. «Infertility – Fact Sheet». World Health Organization. Consultado em 6 nov. 2025 
  5. a b c «Infertilidade». Mater Prime. Consultado em 6 nov. 2025 
  6. «ASRM – Male Infertility». American Society for Reproductive Medicine. Consultado em 6 nov. 2025 
  7. «Infertilidade». BedMed. Consultado em 6 nov. 2025 
  8. Aleixo, Ana Margarida; Almeida, Vasco (2021). «Infertilidade». Revista de Ciência Elementar (4). ISSN 2183-9697. doi:10.24927/rce2021.066. Consultado em 13 de fevereiro de 2026 
  9. «Manejo Multiprofissional da Infertilidade Feminina (SBRA)» (PDF). Consultado em 6 nov. 2025 
  10. «ESHRE Guideline on Ovarian Stimulation for IVF/ICSI». ESHRE. Consultado em 6 nov. 2025 

Ligações externas

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