Governo Delfim Moreira
| Governo Delfim Moreira | |
|---|---|
| 1918–1919 | |
| Início | 15 de novembro de 1918 |
| Fim | 28 de julho de 1919 |
| Duração | 8 meses e 13 dias |
| Organização e Composição | |
| Tipo | Governo federal |
| 10.º Presidente do Brasil | Delfim Moreira |
| 8.º Vice-presidente do Brasil | Ele mesmo |
| Partido | Partido Republicano Mineiro |
O Governo Delfim Moreira corresponde ao período em que Delfim Moreira da Costa Ribeiro exerceu a Presidência da República do Brasil de forma interina, entre 15 de novembro de 1918 e 28 de julho de 1919, durante a Primeira República. Seu governo foi marcado pela transição institucional após a morte do presidente eleito Rodrigues Alves, por limitações impostas por seu estado de saúde e pela condução indireta do poder por ministros e lideranças políticas.
Contexto histórico
[editar | editar código]As eleições presidenciais de 1918 ocorreram em um contexto de instabilidade política e social, agravado pelos efeitos da Primeira Guerra Mundial e pela epidemia de gripe espanhola, que atingiu severamente o Brasil. O presidente eleito, Rodrigues Alves, adoeceu gravemente antes da posse e faleceu em janeiro de 1919, sem ter assumido o cargo.[1]
Diante da impossibilidade de posse do presidente eleito, assumiu a Presidência o vice-presidente Delfim Moreira, político mineiro ligado às oligarquias da Primeira República.
Ascensão à Presidência
[editar | editar código]Delfim Moreira tomou posse em 15 de novembro de 1918, conforme previsto na Constituição de 1891. Desde o início de seu mandato interino, enfrentou sérias limitações de saúde,[2] que comprometeram sua capacidade de governar de forma ativa.
Em razão dessas limitações, grande parte das decisões políticas e administrativas foi conduzida por ministros de Estado e por líderes políticos próximos, especialmente o ministro da Guerra, general Augusto Tasso Fragoso.[3]
Características do governo
[editar | editar código]O governo Delfim Moreira teve caráter essencialmente provisório e administrativo, com foco na manutenção da ordem institucional até a realização de novas eleições presidenciais. Entre suas principais características, destacam-se: [4]
- ausência de iniciativas políticas estruturais;
- forte influência de ministros e assessores próximos;
- preservação do equilíbrio entre as oligarquias estaduais;
- continuidade das políticas do governo anterior.
A historiografia frequentemente descreve o período como um governo de "presidência tutelada", em razão da fragilidade física e mental do presidente.[5]
Política econômica
[editar | editar código]Na área econômica, o governo manteve a orientação adotada durante a Primeira Guerra Mundial, buscando administrar os impactos do conflito e da retração do comércio internacional. Não houve mudanças significativas na política econômica, prevalecendo a preocupação com a estabilidade administrativa e financeira.[4]
Situação social e sanitária
[editar | editar código]O período foi marcado pelos efeitos persistentes da gripe espanhola, que causou milhares de mortes no Brasil entre 1918 e 1919. O governo federal enfrentou dificuldades para responder de forma eficaz à crise sanitária, em grande parte devido às limitações administrativas e à curta duração do mandato.[6][7]
Eleições de 1919
[editar | editar código]Durante o governo Delfim Moreira, foram organizadas novas eleições presidenciais, realizadas em abril de 1919.[8] O candidato eleito foi Epitácio Pessoa, então ministro do Supremo Tribunal Federal e representante brasileiro na Conferência de Paz de Versalhes.[9][10]
Com a posse de Epitácio Pessoa em 28 de julho de 1919, Delfim Moreira deixou a Presidência da República.
Avaliação e legado
[editar | editar código]O governo Delfim Moreira é geralmente avaliado como um período de transição e fragilidade institucional dentro da Primeira República. Sua importância histórica reside menos nas ações de governo e mais no papel de manutenção da legalidade constitucional em um momento de crise política, sanitária e sucessória.[11]
Ver também
[editar | editar código]Referências
- ↑ Malva, Pamela (3 de agosto de 2020). «Vítima da terrível Gripe Espanhola: a insana trajetória do presidente Rodrigues Alves». Aventuras na História. Consultado em 26 de outubro de 2023
- ↑ «Delfim Moreira: biografia, governo e greve geral». Guia Estudo. Consultado em 29 de junho de 2021
- ↑ ARARIPE, General Tristão de Alencar, Tasso Fragoso - Um pouco de História do Nosso Exército, Biblioteca do Exército Editora, 1960.
- ↑ a b Ribeiro Viscardi, Cláudia Maria. «DELFIM, Moreira» (PDF). FGV CPDOC
- ↑ «Delfim Moreira da Costa Ribeiro». Centro de Referência de Acervos Presidenciais
- ↑ «Como os presidentes brasileiros lidaram com a gripe espanhola no início do século 20?». BBC News Brasil. Consultado em 1 de fevereiro de 2026
- ↑ Schatzmayr, Hermann; Cabral, Maulori (2012). A virologia no Estado do Rio de Janeiro: uma visão global (PDF). Rio de Janeiro: FIOCRUZ
- ↑ PIRES, Aloildo Gomes. ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS NA PRIMEIRA REPÚBLICA - UMA ABORDAGEM ESTATÍSTICA. Salvador: Autor (Tipografia São Judas Tadeu), 1995.
- ↑ ZENAIDE, Hélio Nóbrega, Epitácio Pessoa, Editora A União, 2000.
- ↑ Daróz, Carlos. "O Brasil na Primeira Guerra Mundial" Editora Contexto 2016. ISBN 9788572449526.
- ↑ FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Editora da USP, 2013.

