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Focke-Wulf

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Focke-Wulf Flugzeugbau AG
FW-200 e o FW-190, dois grandes sucessos da Focke-Wulf
inicialmente AG , posteriormente GmbH
AtividadeAeroespacial
Fundação24 de outubro de 1923
Fundador(es)Henrich Focke

Werner Naumann

Georg Wulf
DestinoFundiu-se com a Weser Flugzeugbau
Encerramento1964
SedeBremen,Alemanha
Pessoas-chaveHans Multhopp Kurt Tank

Focke-Wulf Flugzeugbau AG foi uma fábrica alemã de aviões que produziu aeronaves militares durante a Segunda Guerra Mundial.[1]

Focke-Wulf FW-190 em exposição no Museu da RAF. Um dos melhores caças da época, foi amplamente utilizado durante a guerra. Mais de 20.000 unidades foram produzidas.

Fundada em 1 de janeiro de 1924 por Henrich Focke, George Wulf e o Dr. Werner Naumann, a empresa operava em um hangar do Aeroporto de Bremen, onde eram desenvolvidos aviões leves e de transportes. O grande acontecimento na história inicial da empresa ocorreu no dia 1 de novembro de 1931, data em que o Diploma Ingenieur (Engenheiro Certificado) Kurt Waldemar Tank assumiu a Diretoria do Departamento de Design. Sua experiência no projeto de aviões era ampla, tendo trabalhado para Rohrbach e a Bayerische Flugzeug AG em Augsburg, sob o comando do Prof. Willy Messerschmitt.

O Focke-Wulf FW-200 Condor foi a primeira aeronave a voar sem escalas entre Berlim e Nova York, em 1938. Era considerado o mais moderno avião de passageiros da época.Destinado ao uso civil, foi improvisado como bombardeiro durante a Segunda Guerra Mundial.

A Focke-Wulf juntamente com a Messerschmit, passou a ser a mais robusta e eficiente fabricante de aeronaves da Alemanha, fez a história na aviação mundial com o famoso caça FW-190, considerado um dos melhores caças da II Grande Guerra [2] e com o revolucionário avião de passageiros, o quadrimotor FW-200 “Condor”, considerado o mais avançado e confortável avião de transporte de passageiros do mundo em sua época e o único, capaz de voar em altitudes superiores a 3.000 metros (9.800 pés) e capaz de atravessar o Atlântico Norte sem escalas. Os FW 200 foram operados na Alemanha pela Deutsche Lufthansa, e no Brasil pelo Syndicato Condor (subsidiária brasileira da Lufthansa) e Cruzeiro do Sul [1].

Wulf morreu em 29 de setembro de 1927, testando um de seus modelos. Henrich Focke, considerado pelos relatórios técnicos da NASA, como o inventor do helicóptero,[3] em 1936 é afastado da Focke-Wulf por pressão dos acionistas. O motivo declarado era o fato dele ser considerado "politicamente pouco confiável" pelo regime nazista. Segundo sua biografia ele passou a ser considerado um sonhador, e recebia muitas críticas pelas suas pesquisas com aeronaves de decolagem vertical, e poucos acreditavam na viabilidade de seu protótipo. Os acionistas queriam que a capacidade de produção da Focke-Wulf fosse destinada totalmente para fabricar as aeronaves FW-109[4] O engenheiro Focke funda em 1937 a Focke-Achgelis e recebe destaque mundial ao conseguir realizar o primeiro voo de um helicóptero completamente controlável, o Focke-Achgelis Fa-61, também denominado como Focke-Wulf Fw 61,realizado pela famosa piloto de teste do Terceiro Reich, Hanna Reitsch [5]

Entrega da primeira série dos Focke-Wulf FW 58, na Fabrica do Galeão com presença do Presidente da Republica do Brasil, Getúlio Vargas

Em 1936, foi lançada a pedra fundamental das Oficinas Gerais de Aviação Naval–OGAvN, conhecida como Fábrica de Aviões do Galeão, na Ilha do Governador, Rio de Janeiro, tendo como seu diretor o Capitão de Fragata Raymundo Vasconcellos de Aboim. Em 1937, o engenheiro aeroespacial Wilhelm Stein da equipe da Focke-Wulf, foi enviado para chefiar a fabricação dos aviões da Focke-Wulf no Brasil,[6] resultado do contrato do governo de Getúlio Vargas com o governo alemão.[7]

“A Fábrica do Galeão, como ficou conhecida, compreendia uma área construída de 19.000m², sendo inaugurada, sob a direção técnica do engenheiro alemão Wilhelm H. F. Stein, que muito contribuiu para a formação de mão de obra especializada no Brasil".[8]

Entre 1937 e 1939 foram entregues 40 aparelhos FW 44 da primeira fase do contrato com a Focke-Wulf, um avião de treinamento, com nome de um pássaro, Stieglitz, que aqui foi traduzido por Pintassilgo. Em seguida, como parte do contrato, entre 1938 e 1942, foram entregues 25 bombardeiros bimotor FW-58 Weihe[6][7] Foi a primeira vez que no país foram fabricados aviões bimotores em série[7] O que iria acontecer novamente no Brasil, somente em 1972, com a fabricação em série do bimotor turbohélice Bandeirante.

O Brasil, neste período era um país basicamente agricola, com uma indústria extremamente incipiente, que iria dar seus primeiros passos rumo a industrialização justamente a partir das políticas de Getúlio Vargas[9]

Com o governo Vargas, se posicionando ao lado dos aliados, e a entrada do Brasil na II Guerra contra a Alemanha, em 22/08/1942, o contrato com a Focke-Wulf foi interrompido e a fabricação dos aviões foi descontinuada, sem realizar o passo seguinte, que seria a fabricação do quadrimotor FW-200 Condor.[10] Mas formou-se uma mão de obra especializada, que participou ativamente na formação da indústria aeronáutica brasileira.

1932 – Focke-Wulf Fw 44
1939 – Focke-Wulf Fw 190
Hanna Reitsch a bordo do Focke-Wulf Fw 61, que foi o primeiro helicóptero totalmente controlável.
Um Focke-Achgelis Fa 223 capturado pelos EUA.

Ver também

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Referências

  1. Yenne, William (2003). From Focke-Wulf to Avrocar: Secret Weapons of World War II: The Techno-Military Breakthroughs That Changed History. New York: Berkley Books. p. 281-283 
  2. «Focke-Wulf Fw 190D-9». Museu Nacional da Força Aérea dos Estados Unidos. Consultado em 4 de novembro de 2025 
  3. «HENRICH FOCKE —INVENTOR OF THE FIRST SUCCESSFUL HELICOPTER». NTRS - NASA Technical Reports Server. Consultado em 4 de novembro de 2025 
  4. Focke, Heinrich (1977). Mein Lebensweg - Autobiographie. Alemanha: Perfect Paperback. p. 46 
  5. Focke, Heinrich. Mein Lebensweg - Autobiographie. Alemanha: Perfect Paperback 
  6. a b Ten Mendonça, Tiago Starling (2016). Construção Aeronáutica no Brasil (PDF). Rio de Janeiro: INCAER-Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica. p. g. 9 
  7. a b c «100 anos da aviação naval no Brasil-Pg 43». FGV Projetos-Biblioteca Mario Henrique Simonsen. 2016. Consultado em 16 de novembro de 2025 
  8. Ten Mendonça, Tiago Starling (2016). Construção Aeronáutica no Brasil (PDF). Rio de Janeiro: INCAER-Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica. p. ag 9 
  9. "Andrade" - "Piochi", "Roberto Pereira de" - "Antônio Ermete" (1976). A História da Construção Aeronáutica no Brasil, 1910-1976 (PDF). São Paulo: Primeira Edição Editora Aquarius, Segunda Edição Editora Brasiliense. p. Capitulo 4, pg.35. ISBN 4046004924 
  10. "Andrade"-"Piochi", "Roberto Pereira de"- "Antônio Ermete" (1976). A História da Construção Aeronáutica no Brasil, 1910-1976 (PDF). [S.l.]: Primeira Edição Editora Aquarius, Segunda Edição Editora Brasiliense. p. 37. ISBN 4046004924 

Ligações externas

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O Commons possui imagens e outros ficheiros sobre Focke-Wulf