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Augusto Cabrita

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Augusto Cabrita
Augusto Cabrita em mural num prédio no Barreiro
Nome completoAugusto António do Carmo Cabrita
Nascimento
Morte
1 de fevereiro de 1993 (69 anos)

Nacionalidadeportuguês
Ocupaçãofotógrafo, diretor de fotografia e realizador cinematográfico
PrémiosPrémio Bordalo (1970) Televisão

Augusto Cabrita (Barreiro, 16 de março de 19231 de fevereiro de 1993) foi um fotógrafo, diretor de fotografia e realizador cinematográfico português.

Biografia

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Augusto Cabrita nasceu a 16 de março de 1923 no Barreiro, cidade onde viveu durante toda a sua vida. Oriundo de uma família que desde cedo o estimulou para a arte, teve a sua primeira máquina fotográfica com apenas 14 anos, uma Kodak 6.5×11 cm oferecida pelo pai, António Cabrita.

Influenciado inicialmente pela estética fotográfica de Adelino Lyon de Castro, distinguiu-se como fotógrafo a partir do início da década de 50, quando começou a concorrer a salões nacionais e internacionais de fotografia e a merecer destaque pelo seu trabalho criativo. Ao longo desse período, conquistou vários prémios e distinções não só em Portugal, mas também em cidades estrangeiras como Paris, Londres, Barcelona, Colónia, Amsterdão, Alicante, Rio de Janeiro, entre outras. Ainda na década de 50, mais precisamente no ano de 1957, Augusto Cabrita tornou-se num dos pioneiros da televisão em Portugal, ao constituir a primeira equipa da RTP na qualidade de repórter. Foi a partir da sua experiência na estação pública, que durou cerca de três décadas, que o artista teve a oportunidade de viajar por vários países e de produzir um vasto repertório de imagens, fossem elas fotográficas ou fílmicas.

Ganhou por três vezes o Prémio Nacional de Cinema, duas na qualidade de diretor de fotografia, com o filme Belarmino (1965), e com o documentário Peneda – Gerês – Parque Nacional (1971), mas também na qualidade de realizador do filme Hello Jim (1970), este último com música de Carlos Paredes. Foi autor de dezenas de curtas-metragens e de vários documentários que desenvolveu na qualidade de operador cinematográfico da RTP, mas também fora do quadro televisivo, muitas vezes por encomenda institucional, como um reputado mestre da imagem. É de uma linhagem de cineastas que foram seus parceiros criativos como Fernando Lopes, António da Cunha Telles ou Alfredo Tropa, autores que também emergiram a partir da RTP, e que tal como Cabrita, contribuíram paralelamente junto de outros para a consolidação do Cinema Novo em Portugal.

Dotado de uma forma assaz vanguardista de conceber a sétima arte, Augusto Cabrita privilegiou como cineasta uma relação simbiótica entre a música e a imagem, onde a música era muitas vezes o ponto de partida para uma composição fílmica, fosse ela mais experimental ou próxima de uma estética neo-realista. Neste quadro, celebrizou-se pelas curtas-metragens que realizou para o programa “Melomania”, difundido na RTP entre 1977 e 1978 e apresentado pelo musicólogo João de Freitas Branco.

Ainda sobre o seu estilo cinematográfico, Cabrita imprimia uma dinâmica particularmente enérgica aos seus trabalhos em cinema, privilegiando efeitos de “chicote” no acabamento das suas panorâmicas, algo que foi recentemente abordado pelo também realizador português, Fernando Matos Silva.

Na fotografia, Augusto Cabrita foi autor de vinte e oito capas de disco de Amália Rodrigues, viajando com a artista, e destacando-se como o seu fotógrafo de eleição. Foi ainda autor de capas de discos de músicos como Carlos Paredes, Carlos do Carmo, Simone de Oliveira, António Victorino de Almeida, Luiz Goes, Fernando Lopes-Graça, entre outros.

Ainda na fotografia, distinguiu-se por um olhar humanista, próximo das pessoas e dos seus respetivos lugares de atividade social e profissional, dignificando muitas vezes classes sociais menos privilegiadas ao trazê-las para a centralidade da objetiva. Na maioria das vezes optava por fotografar e filmar em espaços exteriores, distinguindo-se como um artista que dominava em particular a luz natural, a ponto de ser particularmente elogiado nesse capítulo por Gianni di Venanzo, famoso diretor de fotografia de Federico Fellini, Michelangelo Antonioni e de Vittorio De Sica, cinematografista que Cabrita conheceu na década de 60.

Numa época de conservadorismo e de um certo fechamento às tendências exteriores, Cabrita aproveitava para fotografar vultos da música internacional sempre que vinham a Portugal. Assim, como fotojornalista, pôde retratar artistas como Vinicius de Moraes, Caetano Veloso, Keith Jarrett, Louis Armstrong, Duke Ellington, entre muitos outros.

Agraciado em 1985 pelo então presidente da república Ramalho Eanes com a Comenda da Ordem do Infante Dom Henrique, Augusto Cabrita viria a falecer a 1 de Fevereiro de 1993 em Lisboa.

Cinema - Realização

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  • Improviso sobre o Algarve (curta-metragem, 1960)[1]
  • Macau (curta-metragem, 1960)
  • Os Caminhos do Sol com Carlos Vilardebó (curta-metragem de 1966)[1][2]
  • O Cerco - (curta-metragem de 1967)
  • Viana e o seu Termo (curta-metragem, 1969)[1]
  • Hello Jim (documentário, 1970)[2]
  • Na Corrente (documentário sobre Carlos Paredes) - 1970[1][3]
  • A Viagem (curta-metragem, 1970)[1][3]
  • Açores, Ilhas do Atlântico (Documentário - Realização Conjunta com Hélder Mendes - 1976)
  • O Mar Transporta a Cidade (média metragem,1977) - Com narração de Alexandre O'Neill[1]
  • A Nora (curta-metragem, 1978)
  • Hiperprisma (curta-metragem, 1978)[1]
  • História dos Comboios em Portugal (documentário, 1978)[1][2][4]
  • Lisboa (Documentário - Realização Conjunta com Fernando Lopes 1979)[2][1]


Cinema - Diretor de Fotografia

Marçano Precisa-se (curta-metragem realizada por Fernando Lopes, Fotografia de Augusto Cabrita - 1962

Belarmino (documentário realizado por Fernando Lopes, Fotografia de Augusto Cabrita - 1964

Catembe - Realização de Manuel Faria de Almeida, Fotografia de Augusto Cabrita - 1965

Moçambique 65 (documentário) - Realização de Manuel Faria de Almeida, Fotografia de Augusto Cabrita - 1965

Faça Segundo a Arte (curta-metragem) - Realização de Manuel Faria de Almeida, Fotografia de Augusto Cabrita - 1965

Minuto Zero (curta-metragem) - Realização de Alfredo Tropa, Fotografia de Augusto Cabrita - 1968

Sever do Vouga... Uma Experiência (documentário) - Realização de Paulo Rocha, Fotografia de Augusto Cabrita e Acácio de Almeida - 1971

Livros fotográficos

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  • 50 Anos da CUF no Barreiro (Lisboa, Estúdios Cor, 1958–59)
  • Portugal, um País que Importa Conhecer (Lisboa, Panorama, 1972)
  • Setenave — Estaleiros Navais de Setúbal (1974)
  • Cozinha Tradicional Portuguesa de Maria de Lourdes Modesto, com Homem Cardoso (Lisboa, Verbo, 1982)[1][5]
  • As Mais Belas Vilas e Aldeias de Portugal com texto de Júlio Gil (Lisboa, Verbo, 1984)[1][6]
  • Os Mais Belos Castelos e Fortalezas de Portugal com texto de Júlio Gil (Lisboa, Verbo, 1986)[1][7]
  • Viagem a Sul do Tejo - 1991 (Associação dos Municípios do Distrito de Setúbal)
  • Os Mais Belos Rios de Portugal - de Augusto Cabrita e João Conde Veiga (Lisboa, Verbo, 1994)
  • Augusto Cabrita - O Olhar Encantado (2024) - Edições Cinemateca: Livros de Cinema

Principais distinções

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Títulos honoríficos

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  • 1985 — Augusto António do Carmo Cabrita foi feito Comendador da Ordem do Infante D. Henrique, a 24 de agosto[1][8]
  • 1986 — Medalhão "Barreiro Reconhecido" (área da Cultura, Artes e Letras)[1]
  • 1991 — Medalha de Mérito Distrital de Setúbal[1]
  • Prémio Rizzoli (Prémio Internacional de Fotografia Publicitária), Itália - Anos 50
  • 1.º Prémio de "Melhor Conjunto dos Expositores Nacionais" - Fotografia (1958)
  • Prémio da Crítica (1962)
  • Prémio Nacional de Cinema, pela fotografia do filme "Belarmino" (1964)
  • Troféu "Foca de Ouro — Prémio Leica", 1.º Prémio Internacional de Reportagem de Televisão, Estado de São Paulo, Brasil (1968)
  • Prémio Bordalo (1970), atribuída pela Casa da Imprensa. Na categoria "Televisão", pelo seu trabalho de relevância para os filmes "Na Corrente" (1970) e "A Viagem" (1970). O outro premiado nesta categoria foi Vitorino Nemésio.[3]
  • Prémio Nacional de Cinema «Aurélio Paz dos Reis», pela realização de Hello Jim (1970)
  • Prémio Nacional de Cinema (1971), na qualidade de diretor de fotografia de Peneda - Gerês - Parque Natural, realizado por Hélder Mendes.

Referências

  1. a b c d e f g h i j k l m n o Ministério da Educação : Gabinete do Secretário de Estado da Administração Educativa (14 de janeiro de 1999). «Despacho n.o 602/99 (2.a série)». Diário da República n.º 11/1999, Série II. pp. 492, 492 (27,28). Consultado em 8 de outubro de 2017 
  2. a b c d Augusto Cabrita no IMDb. Consultado em 8 de outubro de 2017
  3. a b c «Prémios Bordalo». Em 1970 denominado "Prémio da Imprensa". Sindicato dos Jornalistas. 22 de janeiro de 2002. Consultado em 4 de outubro de 2017 
  4. «Histórias de Comboios em Portugal». Consultado em 31 de março de 2022 
  5. OCLC 644411656 (em inglês). 7.a ed. (1988) . Consultado em 8 de outubro de 2017
  6. OCLC 644411656 (em inglês). Consultado em 8 de outubro de 2017
  7. OCLC 254366740 (em inglês). Consultado em 8 de outubro de 2017
  8. «Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "Augusto Cabrita". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 8 de outubro de 2017 

Ligações externas

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